
O estado de Santa Catarina surge, mais uma vez, como um exemplo de como políticas fiscais bem estruturadas podem moldar o futuro econômico de uma região, ao atrair capital privado e transformar o ambiente produtivo em um dos mais competitivos do país. Com uma estratégia que une incentivos fiscais, inovação tecnológica e visão de longo prazo, o governo catarinense projeta a captação de R$ 4,4 bilhões em investimentos privados até 2028, com a promessa de quase 19 mil novos empregos diretos e indiretos. O que poderia soar como apenas mais uma meta administrativa ganha relevância quando se observa o histórico recente do estado e os números já conquistados por programas semelhantes, consolidando Santa Catarina como um caso de estudo para investidores que buscam segurança e rentabilidade em um mercado emergente.
Os programas lançados pelo governo de Jorginho Mello estão ancorados em um tripé que mescla modernização industrial, energia renovável e economia circular. Ao atrair indústrias que incorporam os conceitos da chamada indústria 4.0, Santa Catarina abre espaço para um crescimento menos dependente de crédito bancário tradicional e mais voltado à reinvenção do setor produtivo. Nesse sentido, a postergação do ICMS via programas como Prodec, Pró-Emprego e TTD 489 atua como alavanca que permite às empresas aplicarem seu próprio fluxo de caixa em expansão e modernização, enquanto criam bases sólidas para competir em escala global. Trata-se de uma lógica que, se bem sucedida, poderá render não apenas aumento da arrecadação estadual no médio prazo, mas também um ciclo virtuoso de investimentos privados em regiões estratégicas.
O diferencial de Santa Catarina não se limita apenas às vantagens tributárias. A taxa de desemprego de 2,2% coloca o estado no patamar de economias mais robustas da OCDE, superando inclusive países do G7. Tal índice não é apenas um dado estatístico, mas um reflexo da diversificação industrial e da capacidade do estado em reter talentos qualificados, que encontram aqui condições de trabalho associadas a uma infraestrutura logística eficiente e a um ambiente regulatório mais previsível. Para investidores atentos, isso significa reduzir riscos relacionados à mão de obra e ampliar as garantias de execução de projetos de médio e longo prazo. Ao contrário da narrativa que associa incentivos a perdas de arrecadação, a estratégia catarinense demonstra que abrir mão de uma receita imediata pode resultar em retornos multiplicados, sustentados pelo aumento da base econômica.
Entre 2023 e agosto de 2025, mais de 400 projetos foram contemplados, com compromissos assumidos que ultrapassam R$ 28 bilhões em investimentos e a promessa de criação de 104 mil empregos. Essa dimensão é relevante porque evidencia que os incentivos não estão isolados em uma política pontual, mas fazem parte de uma engrenagem maior, desenhada para manter o estado na vanguarda do crescimento nacional. Em 2024, o PIB brasileiro avançou 3,4%, enquanto o de Santa Catarina cresceu 5,3%. Já no primeiro semestre de 2025, os números se distanciaram ainda mais: 6,1% para o estado contra 3,2% no cenário nacional. Essa performance reforça a tese de que a política de incentivos, quando bem planejada, pode se transformar em motor de expansão sustentada.
Dentro do conjunto de programas, os efeitos começam a se materializar em setores estratégicos. A Cooperalfa, por exemplo, com sede em Chapecó, decidiu investir mais de R$ 200 milhões na construção de uma indústria de biodiesel. Essa escolha não se dá apenas pelo potencial energético, mas pela sintonia entre os objetivos da cooperativa e a política pública catarinense, que favorece projetos voltados para a sustentabilidade e para a modernização produtiva. Ao exigir comprovação de investimentos e geração de empregos, o governo adiciona um filtro de credibilidade, reduzindo riscos de distorções que historicamente acompanharam políticas semelhantes em outros estados. A própria adesão de multinacionais como BRF e Seara confirma que os incentivos atuam como catalisador para empresas que já possuem know-how e desejam ampliar operações em território catarinense.
O impacto projetado pelo governo é significativo: R$ 46,3 bilhões a mais no faturamento das empresas até 2028, com reflexos diretos na arrecadação e no crescimento do PIB estadual. Para investidores, esse movimento revela duas dimensões importantes. A primeira está no fortalecimento da economia local, o que cria oportunidades para fusões, aquisições e joint ventures em setores como têxtil, agroindústria e energia renovável. A segunda se relaciona ao efeito indireto sobre a infraestrutura e o comércio, uma vez que o aumento da renda e do emprego gera expansão no consumo e abre espaço para novas cadeias de fornecimento.
Ao avaliar o cenário catarinense, torna-se evidente que os incentivos fiscais funcionam como um componente de uma estratégia mais ampla, sustentada por pilares como segurança jurídica, gestão fiscal responsável e ambiente de negócios competitivo. Para o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, cada real concedido em incentivo retorna múltiplas vezes aos cofres públicos, uma visão que encontra respaldo nos resultados recentes. Combinada ao discurso oficial, a prática mostra que o estado tem conseguido criar um equilíbrio delicado entre estímulo econômico e responsabilidade fiscal, algo raro em tempos de restrição orçamentária.
Santa Catarina, portanto, não se limita a apresentar indicadores positivos. O estado projeta uma narrativa de futuro, baseada em inovação, expansão industrial e atratividade para o capital privado. Em um país marcado por incertezas políticas e macroeconômicas, essa consistência faz a diferença na percepção de investidores que buscam mercados regionais promissores dentro do Brasil. O sucesso do modelo catarinense poderá redefinir o papel dos estados na formulação de políticas de desenvolvimento e servir de inspiração para outras regiões que desejam escapar da dependência exclusiva de transferências federais. Para quem acompanha o mercado, a mensagem é clara: os próximos anos em Santa Catarina serão decisivos para observar até onde uma política fiscal inteligente pode transformar incentivos em riqueza duradoura.
Com informações Gazeta do Povo


















