Notícias, dados e análises exclusivas para profissionais do mercado financeiro

Relator das bets propõe elevar de 5% para 7,5% IR sobre LCI e LCA e mantém isentos CRI e CRA

Por Notas e Informações

O mercado financeiro brasileiro está em alerta máximo. A proposta do relator da medida provisória, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), promete remodelar o cenário de investimentos em renda fixa e títulos incentivados, mexendo diretamente na carteira de milhões de investidores. A decisão não é apenas técnica: ela envia sinais claros sobre prioridades do governo e o futuro da política tributária no Brasil.

Segundo o parecer apresentado nesta quarta-feira, LCIs, LCAs, LHs, LIGs e LCDs, antes isentas de Imposto de Renda, terão alíquota elevada de 5% para 7,5% — um salto que pode redefinir a atratividade desses papéis. Ao mesmo tempo, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs permanecem isentas, protegendo instrumentos vitais para o desenvolvimento do agronegócio e do mercado imobiliário nacional. Para o relator, a medida é um equilíbrio entre regulação e estímulo econômico, preservando papéis estratégicos enquanto amplia a arrecadação sobre outros.

O relatório também manteve o aumento da taxação sobre empresas de apostas online (bets), de 8% para 12% sobre a receita bruta, e confirmou elevação da CSLL das fintechs, equiparando-as a bancos tradicionais. Juros sobre o capital próprio (JCP) também terão alíquota ajustada de 15% para 20%, enquanto ativos virtuais passam a contar com uma taxação de 17,5%, com regime especial de regularização de ativos não declarados, a alíquota reduzida para 7,5%.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que a medida tem caráter regulatório e estratégico, não apenas arrecadatório. Em entrevista rápida no Congresso, destacou que o governo está aberto à negociação, dado que a MP abrange múltiplos temas críticos, desde tributação até contenção de despesas públicas. Para Haddad, “vai acontecer com essa medida provisória o que acontece com todas: negociação intensa e ajustes estratégicos”.

Especialistas alertam: a corrida por títulos de renda fixa será intensa, mas exige atenção redobrada aos riscos e à diversificação. A mudança de cenário pode impactar diretamente a rentabilidade de LCIs e LCAs, enquanto abre espaço para uma reavaliação de investimentos em debêntures incentivadas, CRIs e CRAs.

Enquanto o Senado pressiona por isenções até R$ 5 mil, investidores monitoram cada movimento do Congresso. O timing da votação ainda não foi definido, mas o mercado já sente o efeito psicológico: mudanças de alíquotas, ajustes regulatórios e novas regras para ativos digitais criam um ambiente de alta volatilidade e oportunidades estratégicas.

O recado é claro: quem quiser manter vantagem no mercado financeiro precisa entender rapidamente as nuances desta MP. O futuro das aplicações de renda fixa, das fintechs e dos ativos digitais está sendo redesenhado — e cada decisão do investidor contará mais do que nunca.

Com informações Ibovespa B3

Dê uma olhada rápida nas últimas notícias e análises do dia na newsletter Open Investimentos. Inscreva-se aqui.

Leia a seguir